Análise da Ocupação Europeia em África e Seu Impacto Histórico
Este trabalho foi verificado pelo nosso professor: 15.01.2026 às 17:02
Tipo de tarefa: Redação de História
Adicionado: 15.01.2026 às 16:33

Resumo:
O colonialismo europeu em África teve motivações económicas, políticas e sociais, deixando marcas profundas que influenciam o continente até hoje.
Ocupação de África: Um Olhar Crítico Sobre o Colonialismo Europeu
Introdução
A ocupação europeia de África marca um dos capítulos mais complexos e impactantes da história mundial, cujas repercussões se fazem sentir ainda hoje, não só no continente africano, mas também nos países europeus que protagonizaram esse processo. Em Portugal, este tema é central no estudo da História e das Ciências Sociais, merecendo análise atenta tanto pelos ecos deixados no espaço lusófono africano como pela reflexão sobre as dinâmicas globais de poder. A colonização recente de África, iniciada pelos portugueses com a exploração das Ilhas Canárias no início do século XIV, assinalou o começo de uma nova era, caracterizada pelo domínio político, pela exploração económica e pela ocupação territorial sem precedentes. Este fenómeno, que acompanhou a expansão marítima europeia entre os séculos XV e XX, culminou com a repartição do continente africano no final do século XIX num cenário competitivo e conflituoso entre as principais potências europeias, deixando marcas que ainda persistem nas estruturas políticas, sociais e culturais africanas.Contexto Histórico e Económico da Ocupação
A Evolução Capitalista e a Revolução Industrial
A colonização de África não pode ser compreendida sem ter em conta o contexto de profundas mudanças económicas que abalavam a Europa. Com a Revolução Industrial, a partir da segunda metade do século XVIII e de forma mais acentuada no século XIX, instaurou-se um novo modelo de produção centrado na fábrica, na máquina e na necessidade crescente de matérias-primas. O capitalismo ocidental, em rápido desenvolvimento, dependia do fornecimento contínuo de recursos naturais como ferro, borracha, carvão, ouro, algodão e, mais tarde, petróleo para alimentar as suas linhas de produção e sustentar a maquinaria industrial.O exemplo português é elucidativo: cidades portuárias como Lisboa e Porto prosperaram com a importação de matérias-primas de África e Brasil, transformando-se em entrepostos comerciais essenciais. A pressão sobre as colónias aumentava à medida que os mercados internos saturavam; a Europa do século XIX tornara-se pequena demais para a expansão do capital. Nos manuais de História do ensino secundário em Portugal, como em “História A” do 12º ano, destaca-se a ligação entre as expedições coloniais e a necessidade de escoamento da produção industrial europeia, bem como da procura de novos mercados consumidores.
Se outrora as rivalidades e anexações se limitavam ao espaço europeu—como ocorreu no caso da disputa entre França e Prússia pela Alsácia e Lorena—, agora as atenções voltavam-se para África como solução para os problemas económicos internos. A batalha pelo acesso a territórios ricos em recursos fez acirrar a competição imperialista entre potências como Inglaterra, França, Alemanha e Bélgica, entre outras.
Nacionalismo e Rivalidades Políticas no Século XIX
O cenário político europeu do século XIX era dominado pelo emergente nacionalismo e pela rivalidade entre Estados ambicionando projeção e prestígio internacional. Com o mapa europeu quase definitivamente traçado após sucessivas guerras e tratados—caso do Congresso de Viena em 1815—, as grandes potências voltaram-se para o exterior como palco de afirmação do poder nacional, vendo em África uma oportunidade para consolidar a sua influência.Esta corrida ao prestígio internacional conjugava-se, muitas vezes, com rivalidades latentes. Exemplos disso são a chamada “Crise de Fachoda” entre França e Inglaterra em 1898, ou as tensões entre a Alemanha e as outras potências na delimitação de esferas de influência africanas. Em Portugal, o “Mapa Cor-de-Rosa”, publicado em 1886, refletia o desejo de criação de um império africano contínuo do Atlântico ao Índico, levando a disputas com a Grã-Bretanha que culminaram no Ultimato de 1890, evento que marcou profundamente o imaginário político nacional e inspirou obras literárias e populares, como “Pátria”, de Guerra Junqueiro.
As Primeiras Expedições e Motivações
Viagens de Reconhecimento e Expedições
Antes da ocupação formal efecuada no final do século XIX, os primeiros contactos e expedições a África foram protagonizados por figuras de múltiplos horizontes: missionários, aventureiros, naturalistas—sob patrocínio de sociedades científicas e filantrópicas, nacionais e internacionais. Em Portugal, nomes como Diogo Cão, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama são eternizados nos manuais escolares, preparando terreno para descobertas que viriam a alterar o equilíbrio global do poder.As motivações destas expedições eram diversas: para além das óbvias razões económicas, subsistia o desejo de aventura, prestígio e a missão de evangelização. Recorde-se o papel de sociedades como a Sociedade de Geografia de Lisboa, fundada em 1875, crucial na promoção e financiamento de expedições como as de Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens que cartografaram vastos territórios africanos, sobretudo em Angola e Moçambique.
Motivações das Expedições
No plano económico, a busca incessante de matérias-primas e de novos mercados consumidores impunha-se como prioridade. A era industrial, referida pelos autores portugueses Alexandre Herculano e Oliveira Martins, sedimentou a ligação entre progresso europeu e exploração ultramarina.Politicamente, a necessidade de afirmação nacional em momento de estabilidade dos Estados impulsionou o expansionismo colonial. Este foi assumido oficialmente até como elemento coesivo do espírito nacional, como exaltado em discursos e literatura de época, nomeadamente nos poemas de Antero de Quental e nas cartas de Eça de Queirós.
No campo social e cultural, a noção do “fardo do homem branco”, justificada sob o pretexto da missão civilizadora e evangelizadora, dominava o discurso europeu, como denunciado posteriormente por vozes críticas africanas e portuguesas, como os escritores Mia Couto e Pepetela, e pelo poeta angolano Agostinho Neto.
A Partilha de África
A Intensificação da Competição e a Conferência de Berlim (1884-85)
Na década de 1880, a competição entre potências atingiu o auge, levando à necessidade de um acordo internacional para evitar conflitos abertos. A Conferência de Berlim (1884-85), convocada pelo chanceler alemão Otto von Bismarck, reuniu representantes de 14 países europeus, incluindo Portugal, França, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Alemanha e Itália.Importante sublinhar que nenhuns representantes africanos estiveram presentes, evidenciando o caráter unilateral e eurocêntrico do processo. Esta conferência não dividiu o continente em parcelas fechadas, mas estabeleceu regras para a ocupação efetiva—como o “princípio da efetividade”—e interditou a anexação de regiões já ocupadas por outra potência. O “Mapa Cor-de-Rosa” português foi diretamente afetado por esta configuração, levando a negociações, concessões e, muitas vezes, ao redesenho dos limites coloniais sem qualquer atenção às realidades étnico-culturais locais.
Consequências Imediatas da Partilha
Entre 1885 e 1914, cerca de 90% de África estava sob domínio europeu—apenas a Etiópia e a Libéria mantiveram a sua independência. Os exemplos das administrações belga no Congo e britânica no Egipto e Quénia ilustram diferentes modelos coloniais, variando entre a exploração brutal de recursos e o estabelecimento de colónias de povoamento.A introdução dos sistemas administrativos coloniais trouxe mudanças profundas nas línguas, religiões e estruturas sociais africanas. No Norte de Moçambique, o português tornou-se a língua da administração e do ensino, enquanto no Senegal era o francês, e na Nigéria, o inglês. As novas fronteiras foram traçadas a régua e esquadro, dividindo grupos étnicos e forçando convivências conflituosas, semente para muitos dos conflitos que emergiriam no século XX e XXI, como o genocídio do Ruanda.
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