Redação de História

Légua: origem, variantes e conversão para unidades modernas

approveEste trabalho foi verificado pelo nosso professor: 17.01.2026 às 7:57

Tipo de tarefa: Redação de História

Resumo:

Aprenda a origem, variantes e conversão da Légua para unidades modernas: métodos práticos, exemplos e cuidados para interpretar fontes históricas com rigor.

Quanto é uma Légua?

A unidade que caminhou entre séculos, mapas e mares

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Resumo

Este ensaio aborda de forma detalhada a pergunta: “quanto é uma légua?” — explorando as origens históricas e etimológicas da unidade, as suas múltiplas variantes (terrestres e marítimas), e oferecendo métodos práticos para a sua conversão em unidades modernas. Através de exemplos concretos e estudos de caso, pretende-se demonstrar as dificuldades de interpretação em fontes históricas portuguesas e coloniais, evidenciando as consequências para historiadores, geógrafos e estudiosos da literatura. O texto conclui com recomendações essenciais para evitar erros comuns e sugere caminhos para investigações futuras.

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Introdução

Ao folhear fontes antigas — sejam crónicas quinhentistas, cartas de sesmarias do Brasil colonial ou relatos das viagens de Fernão Mendes Pinto — cedo se depara o leitor com a palavra “légua”. Mas: quanto vale, afinal, uma légua? O problema ganha relevo quando percebemos que o termo, tão comum antes da implantação do sistema métrico, encerra grande ambiguidade. Por vezes parece equivaler a “uns seis quilómetros”, outras vezes afasta-se desse valor, e frequentemente falta no próprio documento uma definição exata. Com isso, surgem perigos tanto para a precisão de trabalhos académicos como para o entendimento de arquivos jurídicos ou familiares.

Neste ensaio, propomo-nos a: 1. Explicar as diversas definições e valorações da légua ao longo dos séculos. 2. Demonstrar regras práticas de conversão, passo a passo, para casos concretos. 3. Alertar para armadilhas frequentes e sugerir métodos de validação e verificação.

Tese central: _A légua nunca foi universal nem fixa; só o contexto histórico (época, função e região) permite atribuir-lhe valor certo — por isso, qualquer conversão exige método, consulta de fontes e cautela científica._

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História e Etimologia da Légua

A palavra “légua” deriva do latim “leuga”/“leuca”, que já era, na Antiguidade Tardia, uma unidade variável de distância. A difusão pelas línguas românicas (léguas em Portugal, “lieue” em França, “legua” em Espanha) testemunha a sua utilidade durante séculos onde se impunha medir o mundo, fosse para a Administração régia ou para a navegação ultramarina.

Na Península Ibérica medieval, a légua era essencial para delimitar terras, definir estradas (como se encontra nas “Ordenações Afonsinas” ou nas cartas de foral), e organizar as repartições agropastoris. Com a expansão marítima portuguesa, a légua lançou-se ao mar, encontrando na navegação uma função renovada. Ou, lembrando Os Lusíadas, “E vi-me em vãos trabalhos combatendo / Por esses mares nunca dantes navegados”: cada légua estimada era, na verdade, um pacto entre a experiência, a tradição e a necessidade.

A partir do século XVIII, algumas tentativas de padronização legislativa fixaram valores para facilitar o comércio e a cobrança de impostos. Ainda assim, só a chegada do sistema métrico (primeiro decretado em Portugal em 1852, embora só plenamente imposto mais tarde) retirou a légua da contagem oficial. Até aí… múltiplas léguas coexistiram.

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Os Principais Tipos de Légua

Légua Terrestre

No Portugal rural, a légua era a medida rainha das escrituras de sesmarias, cartas de povoamento ou contratos de arrendamento. “Dá-se ao suplicante seis léguas de terra” diziam as cartas régias, relatório clássico de ocupação dos sertões brasileiros.

A légua terrestre oscilou, frequentemente, em torno de seis quilómetros, mas isso resultava de uma cadeia de equivalências: por exemplo, 1 légua = 3 000 braças, sendo a braça (em média legal portuguesa) cerca de 2 metros (embora variando de 2,2 m em alguns contextos). Logo, 1 légua = 6 000 m. Documentos setecentistas detalham ainda outros submúltiplos: varas, palmos, polegadas, usados conforme a precisão exigida e o tipo de terreno. Assim, qualquer conversão rigorosa deve começar por identificar, nas fontes, a unidade intermédia (braça, vara, etc.) adotada.

Légua Marítima

Na navegação, a légua assumiu formas ainda mais flexíveis. Como a medição dependia de estimativas de latitude e longitude, muitos pilotos e cartógrafos optavam por “dividir o globo” em graus, cada um contendo determinado número de léguas. Por exemplo: - Admitindo 18 léguas por grau: 1 légua ≈ 6,17 km - Admitindo 20 léguas por grau: 1 légua ≈ 5,56 km - Admitindo 25 léguas por grau: 1 légua ≈ 4,44 km

Essas variações refletiam não só realidades técnicas, mas também tradições nacionais, disponibilidade de instrumentos de navegação e adaptações locais, como mostra o célebre “Regimento do Cosmógrafo-Mor”.

Variações Nacionais e Regionais

Ademais, a légua portuguesa não coincidia com a espanhola (“legua castellana”) ou francesa (“lieue commune”). Diferentes territórios, até devido ao isolamento geográfico e às necessidades do poder central, adaptavam valores, o que explica situações como a do foral de Bragança ser diverso do de Évora. Portanto, sempre que possível, é fundamental determinar: onde, quando e para quê se usou a légua em análise.

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Métodos Práticos de Conversão

Antes de converter qualquer légua, impõem-se três passos: 1. Diagnosticar o tipo de légua (terrestre/marítima). 2. Validar o padrão adotado no documento (verificar menção a braças, varas, etc.). 3. Procurar a legislação ou tabelas oficiais da época.

Vamos exemplificar com casos concretos:

Exemplo 1:

Um documento de sesmaria de 1750 menciona "2 léguas de comprimento". No cabeçalho, lê-se que 1 légua = 3 000 braças; a tabela oficial da época define a braça = 2 m.

Cálculo: - 2 léguas = 2 × 3 000 braças = 6 000 braças - 6 000 braças × 2 m/braça = 12 000 m = 12 km

Nota: se a braça, noutro contexto, for de 2,2 m, o total seria 13 200 m.

Exemplo 2 – Légua Marítima:

Consideremos um relato de viagem marítima que menciona “30 léguas percorridas” numa rota cuja carta usa a definição “20 léguas por grau”.

Cálculo da légua: - Circunferência da Terra ≈ 40 000 000 m - 1 grau = 40 000 000 ÷ 360 ≈ 111 111,11 m - 1 légua = 111 111,11 ÷ 20 ≈ 5 555,56 m - 30 léguas = 30 × 5 555,56 = 166 666,8 m = 166,7 km

Recomendação: sempre indicar as hipóteses adotadas (“assumindo 20 léguas por grau, conforme carta de 1765”).

Na apresentação de resultados, deve fornecer-se um intervalo provável: se diversas fontes coevam sugerem valores entre 5,4 km e 6,2 km, pode dizer-se: “nesta fonte, 1 légua situa-se entre 5,5 e 6 km”.

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Análise de Textos Históricos: Como Interpretar “Légua”

Ao analisar uma referência a légua, siga esta estratégia: 1. Descubra se o contexto é marítimo, terrestre ou híbrido. 2. Procure menção no documento ou arquivo a unidades auxiliares. 3. Consulte leis e tabelas do período (exemplo: as Ordenações Filipinas/Manuais de pesos e medidas). 4. Faça a conversão, indicando todos os pressupostos, e, se possível, valide geométrica ou empiricamente (por exemplo, comparando o percurso no mapa atual).

Caso prático 1:

Fernando Oliveira, em "Arte de Navegar" (século XVI), descreve um percurso de “cem léguas” entre dois portos atlânticos, sem explicitar o padrão. Tendo em conta que a escola portuguesa da época muitas vezes usava 20 léguas/grau, poderemos propor três hipóteses (com base nos padrões conhecidos), deixando clara a incerteza.

Caso prático 2:

Em atas de freguesia do Ribatejo dos anos 1780 lê-se que uma procissão percorreu “duas léguas”. Um exame aos registos da região coincide com trajetos de cerca de 12 km, o que atesta que as léguas usadas eram próximas de seis quilómetros.

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Implicações Práticas e Académicas

A falta de precisão na definição de légua pode distorcer interpretações de mapas antigos, adulterar relatos de viagens (por exemplo, os Caminhos de Santiago compostelanos), e provocar erros em estudos sobre a distribuição da propriedade rural. O impacto atinge historiadores, juristas (por exemplo, na validação de títulos fundiários coloniais) e até leitores de Camilo Castelo Branco, ao tentar imaginar o esforço de uma personagem que percorre “quatro léguas a cavalo”.

Problemas Comuns e Cuidados a Ter

Os erros mais frequentes consistem em: - Adotar o valor de 6 km “por defeito” sem consulta do contexto. - Não distinguir entre légua marítima e terrestre. - Omitir os pressupostos na apresentação dos resultados.

Boas práticas: - Utilizar notas de rodapé com cálculos completos; - Apresentar múltiplos cenários; - Procurar confirmar as conversões com distâncias reais no mapa atual.

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Conclusão

A légua é uma unidade histórica fascinante — mas traiçoeira. Falar em “quanto vale uma légua” sem especificar o contexto é aceitar múltiplos enganos. Só através do cruzamento de fontes, da exposição clara dos cálculos e hipóteses e de uma comparação contínua com realidades geográficas se pode garantir estudo rigoroso e útil. O investigador sensato lembrará sempre: “toda a légua tem a sua história”.

Linhas futuras:

Sugere-se um levantamento comparado das léguas usadas em diferentes arquivos régios e coloniais, projeto que ajudaria a padronizar conversões para estudos genealógicos e patrimoniais. Do mesmo modo, urge digitalizar tabelas históricas para facilitar consultas.

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Glossário (exemplo)

- Braça: unidade de medida de comprimento equivalente, regra geral, a 2 m. - Vara: cerca de 1,1 m. - Sesmaria: concessão de terras, sobretudo no Brasil e em Portugal medieval.

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Exercício-modelo

Exemplo: O diário de bordo de um navio de 1720 indica “percorreram 5 léguas” sob método de 20 léguas/grau. Calcule a distância moderna correspondente.

_Cálculo:_ 1 légua = 111 111,11 ÷ 20 ≈ 5 555,56 m 5 léguas = 5 × 5 555,56 = 27 777,8 m = 27,8 km

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Bibliografia Sugerida

- Nobre, P. (1984), *Unidades Antigas Portuguesas*. Lisboa: Círculo dos Leitores. - Lopetegui, G. (1958), *Medidas Antigas na História da Navegação Portuguesa*. Coleção Náutica Portuguesa. - Arquivo Nacional da Torre do Tombo: Registos de cartas de sesmaria. - “Ordenações Filipinas”, Livro das Pesas e Medidas (edição crítica).

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Nota final para estudantes: Antes de aceitar um número, verifique oito vezes. Justifique e documente. Uma légua pode parecer antiga — mas continua a caminhar connosco, sempre pronta a desafiar quem procura compreender o passado.

Perguntas de exemplo

As respostas foram preparadas pelo nosso professor

Qual a origem histórica da légua segundo o ensaio?

A légua tem origem no latim "leuga" e era uma unidade variada desde a Antiguidade, utilizada em diferentes regiões europeias para medir distâncias em administração e navegação.

Quais são as principais variantes da légua mencionadas no artigo?

As principais variantes são a légua terrestre, usada em delimitação de terras, e a légua marítima, usada na navegação, cada uma com valores próprios e métodos diferentes de cálculo.

Como converter uma légua para unidades modernas segundo o artigo?

Deve-se identificar o tipo de légua, verificar o padrão da época (como braças) e aplicar a equivalência histórica; por exemplo, 1 légua terrestre pode equivaler a cerca de 6 000 metros.

Por que é importante considerar o contexto ao interpretar o valor da légua?

O valor da légua variou consoante a época, local e finalidade, sendo essencial analisar o contexto histórico para evitar erros e obter conversões fiáveis em estudos académicos.

Quais erros comuns ao trabalhar com conversão de légua para unidades modernas?

Erros frequentes são assumir valores fixos sem contexto, não distinguir variantes e omitir as hipóteses usadas nos cálculos, levando a interpretações incorretas de textos e mapas antigos.

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