Redação

Etapa Pré-Operatória no Desenvolvimento Infantil Segundo Piaget

approveEste trabalho foi verificado pelo nosso professor: 15.01.2026 às 17:53

Tipo de tarefa: Redação

Etapa Pré-Operatória no Desenvolvimento Infantil Segundo Piaget

Resumo:

Resumo da fase pré-operatória de Piaget: dos 2 aos 7 anos, destacam-se pensamento simbólico, egocentrismo e jogos de faz-de-conta no desenvolvimento infantil.

Pré-Operatório – Fases de Desenvolvimento da Criança

Introdução Geral

Compreender como uma criança pensa, sente e interpreta o mundo à sua volta é essencial para quem lida com a educação em qualquer contexto, seja familiar, escolar ou comunitário. Em Portugal, a importância do estudo do desenvolvimento cognitivo infantil é reconhecida em todos os níveis de ensino básico e fundamental, refletindo a preocupação com uma educação que respeite as necessidades reais da criança. A abordagem de Jean Piaget constitui uma das bases dessa compreensão, sendo uma referência constante em disciplinas como Psicologia da Educação, Expressão e Educação Artística e Ciências da Educação. Piaget revolucionou a forma como pais, educadores e investigadores olham para a infância — já não como uma miniatura imperfeita do adulto, mas como um ser em constante construção, percorrendo etapas qualitativamente distintas.

Jean Piaget nasceu na Suíça em 1896 e ao longo da sua vida ocupou-se em estudar os mecanismos através dos quais o pensamento evolui do nascimento à adolescência. O seu trabalho destacou-se particularmente no campo da genética do conhecimento, isto é, em perceber de que forma as estruturas cognitivas — esquemas, operações mentais, representações — se formam progressivamente através da interação com o mundo. Faleceu em 1980 deixando um legado fundamental para a Psicologia, pedagogia e mesmo para a filosofia do conhecimento.

Historicamente, até meados do século XX, acreditava-se que as crianças diferiam dos adultos apenas em grau de capacidade intelectual, sendo vistas como adultos em miniatura com menor experiência e raciocínio mais simples. Foi com Piaget e os seus estudos minuciosos com crianças, muitos deles reproduzidos em escolas e centros de investigação portugueses, que se popularizou a ideia de que a criança possui uma forma própria e determinada de pensar — um pensamento não só menos desenvolvido, mas qualitativamente distinto do adulto.

Neste ensaio, procuro explicar em detalhe a fase pré-operatória do desenvolvimento cognitivo de Piaget, situá-la no conjunto das quatro fases do desenvolvimento propostas pelo autor, detalhar as suas características principais e as implicações que estas têm para a educação e compreensão do mundo infantil em Portugal.

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Contextualização da Teoria de Piaget sobre o Desenvolvimento Cognitivo

Para Piaget, há uma diferença fundamental entre “desenvolvimento” e “aprendizagem”. Enquanto a aprendizagem envolve a aquisição de respostas específicas resultantes da experiência ou instrução direta, o desenvolvimento diz respeito à construção ativa do conhecimento na mente da criança. Trata-se de um processo qualitativo, de restruturação profunda do pensamento e do entendimento do mundo. Dizemos, então, que sem desenvolvimento — entendido como formação autónoma de estruturas mentais — não há verdadeiro conhecimento.

Piaget descreveu quatro grandes estágios do desenvolvimento cognitivo:

1. Fase Sensório-motora (0 – 2 anos): período em que o pensamento está ligado à ação direta, sem uso ainda de símbolos ou imagens mentais. 2. Fase Pré-operatória (2 – 7 anos): foco central deste ensaio, caracteriza-se pelo início da função simbólica e pelo desenvolvimento do pensamento representativo. 3. Fase das Operações Concretas (7 – 12 anos): raciocínio lógico aplicado a situações concretas e manipulação mental de objetos reais. 4. Fase das Operações Formais (12 anos em diante): capacidade para pensamento abstrato, hipóteses e deduções complexas.

Durante o desenvolvimento, o conhecimento avança através de três mecanismos essenciais: - Assimilação: a criança integra novas informações nos esquemas mentais já existentes. Por exemplo, ao ver um cão novo na rua, associa-o ao seu conceito prévio de “cão”. - Acomodação: ao deparar-se com algo que não encaixa nos seus esquemas, ajusta-os para integrar a novidade; por exemplo, perceber que os gatos não são cães, mesmo parecendo semelhantes. - Adaptação: a constante interação de assimilação e acomodação permite o progresso cognitivo.

O desenvolvimento, para Piaget, não decorre apenas do crescimento biológico (*maturação*), mas é alvo de influência de múltiplos fatores: a prática e repetição de esquemas cognitivos (*exercitação*), a aprendizagem social (através da linguagem, dos hábitos culturais, da vida familiar e escolar) e o processo de *equilibração*, ou seja, do esforço da criança para equilibrar o que já sabe com o que vai descobrindo. Na escola portuguesa, percebemos estas dinâmicas no modo como se adaptam metodologias de ensino — por exemplo, na educação pré-escolar, a ênfase no jogo, na manipulação e no diálogo favorece o desenvolvimento enquanto processo autónomo.

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Definição e Características Gerais da Fase Pré-operatória

A fase pré-operatória ocorre, em média, entre os 2 e os 7 anos, correspondendo em Portugal às idades de frequência do Jardim de Infância e dos primeiros anos do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Trata-se de um período de enormes transformações cognitivas e psicológicas, em que a criança domina de vez a linguagem, expande a imaginação e começa a representar o mundo através do desenho, da brincadeira e da fala simbólica.

Uma característica marcante do pré-operatório é a *função simbólica*: a criança torna-se capaz de usar palavras, imagens ou objetos para representar algo que não está presente no momento. Assim, uma caixa de fósforos pode ser um comboio; um lápis transforma-se numa varinha mágica. Este potencial evidencia-se no *jogo simbólico* ou “faz-de-conta”, tão privilegiado pelo programa pedagógico português no pré-escolar, onde se incentiva que as crianças representem papéis, histórias ou situações imaginadas. É nesta fase que vemos o aparecimento de desenhos esquemáticos, narrativas inventadas e brincadeiras de imitação dos adultos.

Durante o pré-operatório, a inteligência já não está dependente da ação direta nem da presença concreta dos objetos. A criança pode evocar mentalmente pessoas, lugares ou acontecimentos — pensa neles, fala deles e representa-os mesmo não estando presentes. No entanto, apesar destes avanços substanciais relativamente ao período sensório-motor, o pensamento pré-operatório é limitado por características próprias que o distinguem tanto do período anterior como do posterior.

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Principais Características Cognitivas e Psicológicas do Pré-Operatório

O pensamento típico desta fase evidencia traços que, embora sejam dificuldades do ponto de vista lógico-racional do adulto, cumprem funções importantes no progresso mental da criança.

Egocentrismo

A criança pré-operatória tem dificuldade em colocar-se na perspetiva do outro — fenómeno designado de *egocentrismo*. Um exemplo é o famoso teste das três montanhas, adaptado em muitas escolas do nosso país: quando questionada sobre o que um colega vê do lado oposto do modelo montanhoso, a criança responde com base no seu próprio ponto de vista, não reconhecendo que o outro pode ter uma visão diferente. Este egocentrismo não implica egoísmo, mas antes uma limitação natural na capacidade de descentração, que só será devidamente superada na fase seguinte.

Pensamento Pré-lógico e Transdutivo

Ao invés do pensamento lógico do adulto, que opera por dedução ou indução, o pensamento pré-operatório é transdutivo: parte do particular para o particular, sem regras universais. A criança pode afirmar, por exemplo, “Hoje está nublado porque a avó ficou doente”, só porque ambos acontecimentos coincidiram no tempo. Não consegue ainda estabelecer relações causais lógicas ou classificações consistentes.

Animismo

É notável a tendência animista da criança — atribui vida, intenções e sentimentos a objetos inanimados. Os desenhos animados, tão populares entre nós como “A Abelha Maia” ou “O Panda e os Amigos”, correspondem precisamente a esta visão de mundo. “A lua está a fugir de mim” ou “O sol fica triste quando chove” são expressões espontâneas que ilustram este aspeto. Esta personificação do inanimado está relacionada com a necessidade de explicar o mundo de forma afetiva e compreensível.

Artificialismo

O artificialismo revela-se na crença de que tudo foi feito intencionalmente por alguém: as montanhas “foram feitas para os animais lá dormirem”, os rios “para as pessoas beberem água”. Tudo tem uma causa direta, normalmente associada à ação humana ou de seres superiores, mostrando a incapacidade para conceber processos naturais autónomos.

Percepção Global

Uma criança pré-operatória analisa a totalidade de uma situação sem distinguir facilmente os seus elementos. Por exemplo, perante uma mesa enfeitada, presta atenção ao aspeto geral e não aos detalhes particulares — “é bonita” porque a impressão global assim lhe parece. No ensino português, esta perceção global nota-se na leitura de imagens, na análise de histórias e mesmo nas primeiras tentativas de escrita e desenho.

Recusa do Acaso

Para a criança pré-operatória, nada acontece por acaso; todas as ocorrências devem ter explicação e causa aparente, nunca admitindo a aleatoriedade ou a sorte como fatores válidos.

Capacidade de Simulação e Pensamento “Como Se”

A função simbólica permite o desenvolvimento do pensamento imaginativo. Jogos de faz-de-conta, dramatizações, brincadeiras de “médicos” ou “famílias” dominam o quotidiano infantil e ganham espaço em jardins-de-infância, ludotecas, festas escolares e momentos de convívio familiar.

Realidade Interna e Confusões

A distinção entre o mundo interior e exterior nem sempre está clara: as crianças podem localizar sonhos “no quarto” após acordarem, ou pensar que a imaginação reside na boca ou nos olhos. Este fenómeno testemunha a importância de propor experiências que ajudem a distinguir imaginação e realidade.

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Aspectos Morais na Fase Pré-Operatória (Introdução ao Juízo Moral)

Em Portugal, as regras são um elemento central em casa e na escola desde cedo — “Não se corre nos corredores”, “É preciso pedir licença” —, mas nesta fase a criança interioriza-as de forma literal e inflexível. De acordo com Piaget, predomina a *moral heterónoma*: a criança valoriza as regras porque estas lhe são impostas por figuras de autoridade (pais, professores) e obedece por medo de castigo ou desejo de recompensa. Só progressivamente, já depois dos 7/8 anos, começa a emergir o sentido de justiça autónoma e negociada.

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Implicações Pedagógicas e Educativas

Compreender a fase pré-operatória tem enorme relevância para cada educador, especialmente em contexto escolar português, onde a diversidade de experiências, linguagem e origens é cada vez maior. O reconhecimento das características pré-operatórias — egocentrismo, animismo, pensamento simbólico — obriga a:

- Adaptar métodos e conteúdos: jogos, dramatizações, atividades simbólicas, contação de histórias. - Valorizar o faz-de-conta: reconhecê-lo como forma de expressão e compreensão emocional e social. - Acompanhar os ritmos individuais: respeitar que cada criança tem tempo próprio de avançar para operações mentais mais complexas. - Facilitar o diálogo e a escuta: promovendo rodas de conversa, partilha de experiências e debate de ideias, o que vai facilitando a superação do egocentrismo. - Exercitar o raciocínio causal: experiências simples, manipulação de materiais, experiências científicas planeadas (como plantar uma semente e observar o crescimento) ajudam a criança a construir a noção de causa e efeito.

No contexto português, o trabalho em pequeno grupo, típico das salas de Jardim de Infância e das “salas temáticas” do 1.º Ciclo, facilita a interação e acentua a aprendizagem social, enquanto o acolhimento de desenhos, dramatizações e jogos simbólicos revela uma escola atenta e sensível ao verdadeiro desenvolvimento infantil.

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Conclusão

A etapa pré-operatória, segundo Jean Piaget, é um período de extraordinária criatividade, expressão simbólica e intensa atividade mental. O pensamento infantil, ainda longe da lógica formal, destaca-se pelo egocentrismo, animismo, artificialismo e pela perceção global das situações. Estas não são fraquezas, mas manifestações de um modo único de conhecer e de se adaptar ao ambiente, sendo essenciais para a construção do pensamento lógico mais tarde.

Em Portugal, reconhecer e respeitar os traços desta fase significa aceitar que o desenvolvimento não pode ser acelerado por mero desejo ou ensino formal, mas antes apoiado por experiências ricas, diálogo, jogo livre e oportunidades de representação simbólica. Educadores atentos e famílias participativas são, assim, condição fundamental para que a criança avance no seu percurso, da inteligência sensorial ao pensamento formal.

Esta fase é um momento de transição decisivo, em que se lançam as bases do raciocínio, da autonomia moral, da criatividade e do respeito pela diferença de perspectivas. Finalmente, de recordar que cada criança é única e que o estudo aprofundado das características do pré-operatório, articulado com observações em contexto diverso, pode enriquecer a prática pedagógica e fortalecer a compreensão do fascinante processo de desenvolvimento infantil.

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Referências e Sugestões para Leitura Complementar

- Piaget, J. – *A Psicologia da Inteligência*. Lisboa: Ed. Presença. - Piaget, J. – *O Juízo Moral na Criança*. Lisboa: Ed. Presença. - Piaget, J. – *A Epistemologia Genética*. Porto: Livraria Tavares Martins. - Vasconcelos, T. – *Educar a Infância: A Escola do Pensar e do Sentir*. Lisboa: Editora Rei dos Livros. - Ministério da Educação (Portugal). – *Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar*. - Vieira, M.L. – Artigos sobre desenvolvimento infantil em revistas de Educação e Psicologia portuguesas.

Ler e dialogar, observar e refletir — eis o caminho para uma educação que respeita o ritmo da infância, integrando teoria e prática ao serviço do desenvolvimento pleno de cada criança.

Perguntas de exemplo

As respostas foram preparadas pelo nosso professor

O que caracteriza a etapa pré-operatória no desenvolvimento infantil segundo Piaget?

A etapa pré-operatória caracteriza-se pelo surgimento da função simbólica e pensamento representativo, evidenciado no faz-de-conta, linguagem e desenhos, ocorrendo entre os 2 e 7 anos.

Quais são as principais limitações cognitivas da fase pré-operatória de Piaget?

Nesta fase predominam o egocentrismo, o animismo, o pensamento transdutivo e a perceção global, limitando a lógica, a distinção entre perspectivas e a compreensão de causas naturais.

Como o egocentrismo se manifesta na etapa pré-operatória segundo Piaget?

O egocentrismo manifesta-se pela dificuldade da criança em adotar o ponto de vista do outro, respondendo com base apenas na sua própria perspetiva em situações como o teste das três montanhas.

Quais são as implicações educativas da etapa pré-operatória no contexto português?

É fundamental adaptar metodologias com jogos simbólicos, dramatizações e conversa, respeitando o ritmo individual e promovendo experiências que ajudem a desenvolver raciocínio lógico e socialização.

Em que difere o pensamento pré-operatório do pensamento das fases concretas e formais de Piaget?

O pensamento pré-operatório é simbólico e pouco lógico, ao contrário das fases concretas e formais que já permitem operações lógicas e pensamento abstrato, típicos de idades mais avançadas.

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