Guia Prático para a Preparação e Diluição de Soluções em Química
Este trabalho foi verificado pelo nosso professor: 15.01.2026 às 18:39
Tipo de tarefa: Redação
Adicionado: 15.01.2026 às 18:02

Resumo:
O trabalho aborda, com exemplos práticos, a preparação e diluição de soluções padrão, destacando métodos, cálculos e precauções laboratoriais em Química.
Preparação e Diluição de Soluções
1. Introdução
A preparação e diluição de soluções é uma competência fundamental no ensino laboratorial de Química, presente desde os currículos do ensino secundário português até ao ensino superior em universidades como a Universidade de Lisboa ou a Universidade do Porto. Antes de abordar o procedimento, torna-se essencial compreender o que é uma solução aquosa: trata-se de uma mistura homogénea, na qual uma substância (o soluto) está dissolvida noutra (o solvente), sendo este, na maioria dos contextos laboratoriais e industriais, a água. A água é escolhida frequentemente pelo seu carácter universal de dissolvente devido à elevada polaridade e capacidade de solvatar uma vasta gama de substâncias iónicas e moleculares.A frequência com que as soluções aquosas são preparadas nos laboratórios, quer para simples demonstrações, quer para complexas análises instrumentais, revela a necessidade de domínio dos métodos de preparação e diluição. Por exemplo, no ensino prático de liceus portugueses, como o Liceu Camões, ou nos laboratórios universitários dedicados à Química Analítica, este processo é crítico para garantir que reações químicas, titulações e ensaios forneçam resultados fiáveis.
Em Portugal, a distinção entre soluções utilizadas em testes qualitativos e em análises quantitativas é fulcral. Enquanto as primeiras apenas exigem uma concentração aproximada, nas segundas — nomeadamente nas soluções padrão — a exigência de rigor é máxima. As soluções padrão servem como base de referência em processos como as titulações e, para tal, só podem ser preparadas a partir de substâncias de elevada pureza, denominadas padrões primários. Exemplos clássicos, bem conhecidos dos estudantes portugueses, incluem a preparação de soluções de ácido oxálico ou carbonato de sódio.
No entanto, nem todos os reagentes são padrões primários. O tiossulfato de sódio penta-hidratado, muito utilizado em químicas laboratoriais como fixador ou agente redutor, é exemplo de uma substância não primária, exigindo, assim, um posterior processo de padronização da solução que se preparou.
Este ensaio terá como objetivo detalhar o processo de preparação e diluição de soluções padrão, recorrendo ao estudo de caso do tiossulfato de sódio, realçando as metodologias laboratoriais, os cálculos envolvidos, e os principais cuidados a ter, mobilizando exemplos e procedimentos alinhados com o contexto educativo português.
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2. Fundamentação Teórica
2.1 Conceitos básicos de concentração
Em Química, a concentração de uma solução expressa a quantidade de soluto dissolvida por unidade de volume de solução. A unidade habitual em Portugal e internacionalmente aceita é o mol por decímetro cúbico (mol/dm³, vulgarmente referido como “molaridade”). Assim, a concentração molar (C) é dada por:*C = n / V*
onde *n* representa o número de mols do soluto e *V* o volume total da solução em decímetros cúbicos. Para determinar *n*, é usado o conceito de massa molar (M), que também é recorrente nos exames nacionais:
*n = m / M*
Com estas relações, é possível calcular, por exemplo, que para preparar 0,030 mol/dm³ de uma substância num volume de 50 mL, basta determinar o número de mols pretendidos e converter em massa a pesar.
2.2 Preparação de soluções padrão
A primeira etapa da preparação de uma solução padrão consiste na escolha do reagente — preferencialmente um padrão primário, dada a sua pureza e estabilidade (características reconhecidas em substâncias como o carbonato de sódio ou o ácido benzóico). O rigor na pesagem é imprescindível, sendo o uso de balanças analíticas da ordem de ±0,001g uma prática transversal nos laboratórios das Faculdades de Ciências do Porto ou Lisboa.A dissolução do soluto é feita num volume parcial de água, agitando até dissolução completa, muitas vezes com ajuda de uma vareta. A transferência do conteúdo para o balão volumétrico — de vidro, com graduação precisa — é minuciosa. Todos os utensílios usados devem ser enxaguados com água desionizada, para que não haja perdas do soluto durante o processo. Só depois se ajusta o volume final até ao traço do balão, garantindo precisão e homogeneização da solução.
Erros, como perda de soluto ao transferir, má leitura do menisco do balão volumétrico, ou pesagem imprecisa, irão refletir-se diretamente na concentração da solução, o que pode comprometer a validade de futuras análises.
2.3 Diluição de soluções
A diluição é um procedimento frequente, seja para reduzir a concentração de uma solução-mãe, seja para obter diferentes concentrações para titulações, como se faz nos laboratórios durante a análise da água para consumo. No processo, transfere-se um volume Vi de solução concentrada para um balão volumétrico, adicionando-se água desionizada até ao volume final Vf.O fator de diluição (f) é calculado por:
*f = Vf / Vi*
A quantidade de matéria de soluto não se altera ao diluir; assim, a relação de conservação é:
*Ci x Vi = Cf x Vf*
onde *Ci* e *Cf* designam as concentrações inicial e final. Estas fórmulas, de uso corrente nos manuais escolares portugueses, são indispensáveis para garantir rigor nas análises químicas.
2.4 O reagente estudado: tiossulfato de sódio penta-hidratado
O tiossulfato de sódio penta-hidratado, de fórmula Na₂S₂O₃•5H₂O, apresenta-se geralmente como um sólido cristalino, incolor e altamente solúvel. Em Portugal, é utilizado em procedimentos laboratoriais de titulação do iodo, como fixador fotográfico nas antigas câmaras escuras, ou como agente para remover cloro em indústrias de tratamento de águas.Não sendo uma substância padrão primária devido à possível presença de impurezas e instabilidade por absorção de humidade, a preparação de sua solução exige posterior padronização, ou seja, ajuste da concentração real por titulação contra um padrão primário (como o dicromato de potássio).
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3. Materiais e Reagentes
3.1 Listagem dos materiais utilizados
O arsenal de utensílios para preparação de soluções padrão e diluídas inclui sempre:- Balança de precisão (±0.001 g): para assegurar pesagem correta do soluto. - Balões volumétricos de 50 mL (±0.06 mL): determinam o volume exato da solução. - Gobelé de 100 mL: reservatório inicial para dissolução. - Espátula: facilita manuseamento do sólido. - Pipeta graduada de 10 mL (±0.04 mL) e pompete: para medir volumes exatos na diluição. - Funil: evita perdas durante transferências. - Proveta de 25 mL (±0.5 mL): usada em algumas medições intermédias. - Vareta: para agitação eficiente. - Esguicho com água desionizada: indispensável para lavagens.
3.2 Importância de cada material no procedimento
Um dos piores erros laboratoriais é subestimar a precisão exigida na preparação de soluções padrão. A balança garante a massa exata do soluto, enquanto o balão volumétrico fixa o volume em que este estará disperso. As pipetas e pompete são cruciais para as diluições e transferências subsequentes, enquanto o esguicho com água desionizada previne contaminações, um detalhe imprescindível e ensinado já nas aulas práticas do ensino secundário.---
4. Procedimento Experimental
4.1 Parte A – Preparação da solução de tiossulfato
Primeiro, pesa-se uma quantidade de tiossulfato (cerca de 0,372 g para 0,030 mol/dm³ em 50 mL) na balança de precisão. O sal é transferido, com a espátula, para o gobelé. A adição de aproximadamente 20 mL de água desionizada e a agitação asseguram dissolução completa. Esta solução é transferida cuidadosamente para o balão volumétrico com auxilio da vareta de vidro e funil, lavando-se todas as superfícies contactadas pelo soluto para garantir a transferência total. O volume é completado até ao traço com água desionizada e homogeneizado por inversões repetidas.4.2 Parte B – Preparação de soluções diluídas
Com a pipeta graduada e a pompete, mede-se precisamente 10 mL da solução-mãe e transfere-se para um novo balão de 50 mL. Após ajustar até ao traço com água desionizada, a solução é homogeneizada. Esta técnica, ensinada na disciplina de Laboratório de Química II no ensino secundário português, permite obter diluições precisas, fundamentais para ensaios quantitativos.---
5. Cálculos e Resultados
Com a massa molar do tiossulfato de sódio penta-hidratado (248,22 g/mol) e o volume de 0,050 L, a quantidade de mols necessária é:*n = 0,030 mol/dm³ x 0,050 dm³ = 0,0015 mol*
Convertendo para massa:
*m = n x M = 0,0015 mol x 248,22 g/mol = 0,372 g*
Se a massa realmente pesada for 0,380 g (um desvio aceitável face ao teórico), a nova quantidade de mols será:
*n = 0,380 g / 248,22 g/mol = 0,00153 mol*
Concentração real:
*C = n / V = 0,00153 mol / 0,050 L = 0,0306 mol/dm³*
Se procedermos a uma diluição (10 mL para 50 mL, fator 5):
*Cf = Ci / f = 0,0306 mol/dm³ / 5 = 0,00612 mol/dm³*
Estes cálculos ilustram a forma como uma pequena desviante na massa afetou a concentração real, algo rotineiramente explorado nos relatórios práticos do ensino superior, onde a análise de erro é valorizada.
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6. Discussão
A maior fonte de erro na preparação de soluções é a etapa da pesagem, sobretudo se a substância absorver humidade do ar (problema típico com o tiossulfato). Perdas durante a transferência, ineficiente lavagem do material ou má leitura de volumes em aparelhos volumétricos contribuem para a incerteza nos resultados. Uma diferença de alguns miligramas pode alterar a concentração em 1-2%, suficiente para invalidar análises quantitativas de alta precisão.Este rigor não é tão crítico em ensaios qualitativos, como nas primeiras experiências de reações de precipitação feitas no 9.º ano, onde o importante é observar mudanças visuais, mas torna-se determinante em titulações redox ou determinação de teores de vitamina C em laboratórios universitários.
Soluções de tiossulfato têm aplicação prática, desde análises ambientais (titulando iodo libertado pelo cloro em águas de consumo) ao controlo de qualidade em indústrias fotográficas, demonstrando que o domínio destas técnicas tem consequências reais para práticas profissionais e cidadania científica.
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7. Conclusão
A preparação e diluição de soluções exigem do estudante um apuramento do rigor experimental, disciplina metodológica e compreensão profunda dos princípios que interligam massa, volumes e concentração. Cada passo — da pesagem à transferência e ajuste de volume — deve ser executado sem atalhos e com plena atenção às técnicas e instrumentos apropriados. Só assim, a concentração determinada será de facto aquela que se pretende obter.A abordagem prática com o tiossulfato de sódio penta-hidratado permitiu ilustrar as dificuldades inerentes à preparação a partir de substâncias não primárias e a necessidade de posteriores titulações. O conceito de fator de diluição e a conservação do número de mols são pilares de todo o cálculo subjacente.
Sugere-se, como evolução natural destes procedimentos, a realização de experiências de titulação para padronização de soluções e avaliações comparativas de precisão, uma prática comum nas universidades públicas portuguesas e fundamental para a formação em Química Analítica.
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8. Anexos (para referência futura)
8.1 Cálculos detalhados
- n = 0,030 mol/dm³ × 0,050 L = 0,0015 mol - m = 0,0015 mol × 248,22 g/mol = 0,372 g - C real = massa pesada / (massa molar × volume em L)8.2 Tabelas e figuras
- Ilustrações de balão volumétrico, pipeta graduada, espátula. - Esquema do procedimento: dissolução no gobelé, transferência para balão, pipetagem.8.3 Glossário
- Padrão primário: substância de elevada pureza, estável ao tempo, usada para preparação de soluções padrão. - Fator de diluição: relação entre volume final e inicial de uma solução ao diluir. - Concentração molar: quantidade de mols de soluto por litro de solução.---
9. Dicas e sugestões para estudantes
- Pese, sempre que possível, um pouco acima do valor teórico e corrija nos cálculos. - Lave exaustivamente vesículas e utensílios para garantir transferência total do soluto. - Nunca complete o balão volumétrico “de uma só vez”, adicione água lentamente perto do traço. - Homogeneizar é tão importante quanto medir: sem mistura completa, não há garantia de concentração uniforme. - Verifique as calibrações de balanças e aparelhos volumétricos regularmente. - Faça registos detalhados de cada passo e resultado, como praticado no ensino superior. - Pratique titulação sempre que tiver dúvidas sobre a pureza do soluto ou a concentração obtida.---
A preparação e diluição de soluções são competências transversais, indispensáveis em múltiplos domínios científicos e industriais, e dominar estes procedimentos é um caminho decisivo para o sucesso futuro no campo das Ciências Químicas em Portugal.
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