Análise

Texto argumentativo e expositivo: diferenças e como escrevê-los

approveEste trabalho foi verificado pelo nosso professor: 24.01.2026 às 0:15

Tipo de tarefa: Análise

Resumo:

Aprenda a identificar e escrever textos argumentativos e expositivos com clareza, estrutura e exemplos práticos para melhorar suas redações escolares. 📚

Exploração e Análise dos Tipos de Texto: Argumentativo e Expositivo

Introdução

A comunicação escrita integra todas as etapas relevantes do percurso académico e profissional em Portugal, sendo valorizada não só como instrumento de transmissão de conhecimento, mas como ferramenta que permite ao cidadão expressar ideias, posicionar-se perante o mundo e participar de forma crítica na sociedade. Dominar diferentes tipos de texto demonstra não apenas competência linguística, mas também capacidade de adaptação aos contextos diversos que se impõem na escola, no ensino superior ou no ambiente de trabalho. Neste universo, destacam-se dois tipos que frequentemente surgem tanto em avaliações nacionais como na vida quotidiana: o texto expositivo e o texto argumentativo.

O texto expositivo presta-se à partilha imparcial de informações, servindo para esclarecer ou explicar um tema de maneira objetiva e acessível. Por sua vez, o texto argumentativo é o espaço onde se debatem ideias, se assumem posições e se tenta persuadir o leitor de um ponto de vista, apoiando-se em argumentos sólidos e bem estruturados. O presente ensaio pretende analisar de forma detalhada estes dois tipos de texto, evidenciando as suas características, funções, estruturas e diferenciações, exemplificando a sua aplicação com referências concretas ao contexto educacional português. A organização do texto apresenta-se dividida em três áreas fundamentais: análise do texto expositivo, análise do texto argumentativo e a comparação entre ambos, concluindo com dicas práticas e considerações finais relevantes à aprendizagem e aplicação destes géneros textuais.

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O Texto Expositivo

Definição e Finalidade

O texto expositivo é, essencialmente, uma resposta à necessidade de transmitir conhecimento de forma clara, estruturada e imparcial. Este tipo textual é frequentemente solicitado em exames e trabalhos académicos, pois privilegia a explicação de um assunto em toda a sua complexidade, sem a interferência de juízos de valor do autor. No ensino básico e secundário português, por exemplo, manuais escolares – como os de História, Ciências Naturais ou Geografia – fazem largo uso do texto expositivo. O seu objetivo primordial é informar, esclarecendo uma temática para um público mais ou menos conhecedor, tornando-o acessível e compreensível.

A imparcialidade é, portanto, o traço fundamental do texto expositivo: o autor não toma partido, limita-se a apresentar os factos, as definições e os processos ou conceitos de forma clara.

Estrutura do Texto Expositivo

A organização do texto expositivo é outro elemento fundamental à sua eficácia. Em geral, este tipo de texto é composto por três partes essenciais:

1. Introdução: Aqui é apresentado o tema central de forma direta, explicando ao leitor o que vai ser tratado no texto. Por exemplo, num manual de Biologia do 9º ano, um capítulo sobre fotossíntese começa por delimitar o fenómeno e a sua importância.

2. Desenvolvimento: O corpo do texto expõe os aspetos essenciais do assunto, organizados de modo lógico – pode ser cronológico, descritivo, comparativo ou classificatório, dependendo do conteúdo. São apresentados os conceitos fundamentais, acompanhados de exemplos, estatísticas, gráficos ou quadros, sempre que relevantes. Por exemplo, num artigo do “Público” sobre energias renováveis, o texto poderá expor os tipos de energia, os seus benefícios e desafios, recorrendo a dados estatísticos recentes de Portugal.

3. Conclusão: Nesta secção faz-se uma síntese das ideias principais, ajudando o leitor a fixar o essencial. Não se acrescentam novas informações nem comentários pessoais.

Técnicas e Recursos Linguísticos

O sucesso do texto expositivo reside, frequentemente, na clareza da linguagem: frases curtas, palavras precisas e ausência de ambiguidade. O registo é formal, com preferência por verbos no presente do indicativo e uso de conectores lógicos, como “em primeiro lugar”, “além disso”, “por fim”. O autor pode recorrer a termos técnicos, mas deve esclarecê-los caso escreva para públicos não especializados; por exemplo, explicar o que significa “biodiversidade” ao tratar questões ambientais para alunos do 3º ciclo.

As perguntas retóricas são, geralmente, evitadas – o texto deve ser mais informativo do que interativo.

Exemplos Práticos

No contexto da educação em Portugal, o texto expositivo aparece sob diferentes formas:

- Artigos informativos publicados em jornais (“Expresso”, “Observador”) e revistas especializadas. - Sumários ou sínteses em manuais escolares de Português, por exemplo, quando se apresenta a biografia de autores como Eça de Queirós ou Sophia de Mello Breyner Andresen. - Relatórios e comunicações científicas resultantes de projetos escolares ou feiras de ciência. - Trabalhos de pesquisa ou fichas informativas preparadas para a disciplina de Cidadania.

A forma do texto expositivo pode variar conforme o público: um artigo para alunos do secundário tende a aprofundar mais os conceitos do que um texto destinado ao 1º ciclo do ensino básico.

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O Texto Argumentativo

Definição e Propósito

O texto argumentativo distingue-se, desde logo, por assumir uma posição perante um determinado tema ou problemática, expondo opiniões apoiadas em argumentos lógicos, factuais ou mesmo éticos. A sua finalidade primeira é persuadir o leitor de uma determinada forma de pensar, influenciando a sua opinião, crença ou comportamento. É convidativo ao debate, à análise crítica e à mobilização de ideias. Em Portugal, textos argumentativos surgem de forma frequente nos exames nacionais do ensino secundário, como nos ensaios de Português, e nas cartas argumentativas solicitadas em provas de aferição.

Neste género textual, o autor deve saber conjugar razão e emoção, fundando os seus argumentos em dados concretos, exemplos sociais, referências culturais portuguesas, além de, quando pertinente, recorrer a figuras nacionais como Antero de Quental ou José Saramago para reforçar pontos de vista.

Estrutura do Texto Argumentativo

Ao contrário do texto expositivo, o argumentativo exige um posicionamento claro desde a introdução. Em linhas gerais, segue esta estrutura:

1. Introdução (apresentação da tese): O autor introduz o tema e enuncia a sua opinião ou tese, de forma inequívoca. Por exemplo, pode-se começar um ensaio com: “A proibição dos plásticos de utilização única tornou-se imperativa numa sociedade que pretende garantir um futuro sustentável."

2. Desenvolvimento dos argumentos: Cada parágrafo desenvolve um argumento suportado em dados, exemplos, autoridades (como especialistas nacionais), analogias ou apelo à racionalidade. O autor pode citar estatísticas sobre reciclagem em Portugal ou indicar dados do Instituto Nacional de Estatística. A refutação de contra-argumentos é outra marca de maturidade argumentativa: antecipa-se e desmonta-se a possível objeção do leitor, reforçando a posição inicial.

3. Conclusão (reafirmação da tese e apelo à ação/reflexão): Resume-se o essencial dos argumentos apresentados, podendo terminar com um apelo (“Cabe a cada cidadão, pois, repensar o seu consumo diário...”) ou uma questão provocadora.

Técnicas e Recursos Linguísticos

O texto argumentativo é marcado por uma linguagem apelativa, sem perder a formalidade, usando conectores como “no entanto”, “contudo”, “consequentemente”, que evidenciam a construção lógica da argumentação. As perguntas retóricas, os exemplos concretos e citações de escritores portugueses reforçam a persuasão. É fundamental evitar falácias ou argumentos sem fundamentação – por exemplo, simplesmente proclamar que “todos concordam” sem apresentar provas não é válido.

A perspetiva crítica é essencial, sabendo equilibrar razão e emoção nos temas abordados – seja um debate sobre a importância do ensino presencial versus ensino à distância, seja uma carta à direção de uma escola reivindicando melhores condições.

Exemplos Práticos

Entre exemplos frequentes de textos argumentativos no contexto português destacam-se:

- Artigos de opinião em jornais nacionais como o “Diário de Notícias” ou “Jornal de Notícias”. - Ensaios literários ou dissertações produzidos a partir da leitura de obras de autores portugueses – por exemplo, argumentos sobre a atualidade dos temas explorados em “Os Maias”. - Debates orais e escritos em clubes de leitura ou assembleias de estudantes. - Cartas abertas endereçadas a órgãos públicos ou administrações escolares.

A forma de argumentar pode adaptar-se ao público: um editorial para a juventude recorre a exemplos próximos da realidade juvenil, enquanto uma intervenção em assembleia de professores apela à experiência e saber científico.

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Comparação entre Texto Expositivo e Texto Argumentativo

A distinção entre estes dois tipos de texto reside, essencialmente, no seu propósito e no modo como a informação é organizada e apresentada. O texto expositivo visa informar, mantendo neutralidade e objetividade, estruturando-se em torno de dados e explicações detalhadas. O argumentativo, por sua vez, procura convencer, defendendo uma tese pessoal apoiada em argumentos lógicos, exemplos concretos e, muitas vezes, envolvendo o leitor de forma mais direta.

No plano estilístico, o texto expositivo afasta-se de juízos de valor, privilegiando uma linguagem descritiva e clara. Já o argumentativo é subjetivo, embora exige fundamentação, recorrendo a apelos emocionais e retóricos. Enquanto a exposição pauta-se pela imparcialidade, a argumentação exige posicionamento.

Na escola ou fora dela, a escolha entre um e outro depende das circunstâncias: o relatório de um trabalho experimental em Físico-Química será expositivo; já a defesa de uma posição sobre transporte público gratuito em Lisboa será argumentativa.

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Dicas Práticas para a Produção dos Dois Tipos de Texto

Para o Texto Expositivo

- Antes de escrever, recolhe e seleciona apenas fontes de informação fidedignas, como manuais escolares aprovados pelo Ministério da Educação. - Faz um plano com os principais tópicos a abordar; utiliza esquemas, mapas ou listas para organizar as ideias. - Evita jargões e, se necessária a utilização, explica-os – um texto para o público em geral não deve pressupor conhecimentos prévios. - Rele o texto atentamente, corrigindo repetições, ambiguidades ou descuidos gramaticais que dificultem a compreensão do leitor.

Para o Texto Argumentativo

- Escolhe um tema controverso, atual e que permita diferentes perspetivas, como os desafios do ensino inclusivo em Portugal. - Define com clareza a tua tese no início do texto e mantém-na consistente até ao final. - Apoia-te em argumentos diversificados: apela à razão, à emoção e à experiência nacional, usando estatísticas portuguesas sempre que possível. - Prevê e desmonta argumentos contrários para mostrares domínio sobre o tema. - Mantém o texto articulado e evita “saltos lógicos”. Privilegia uma relação lógica entre as ideias e utiliza conectores apropriados. - Atenção ao público-alvo: adapta a linguagem se escreves para colegas, professores ou um público geral.

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Conclusão

O domínio dos textos expositivo e argumentativo é uma competência chave para todo o estudante em Portugal, não só pelo seu valor intraescolar, mas sobretudo pelo que significa na construção de uma cidadania ativa, informada e crítica. Ao compreender as diferenças essenciais entre informar e argumentar, ganhamos ferramentas para nos exprimirmos com rigor e influenciarmos, de modo ponderado, os que nos rodeiam. Se o texto expositivo é indispensável para a construção e difusão do conhecimento, o argumentativo abre portas à análise crítica e ao enriquecimento do debate público.

A prática continuada na produção destes tipos de textos, sustentada no estudo de exemplos de autores portugueses (do texto jornalístico ao ensaio literário), incrementa a clareza, a precisão e a eficácia na expressão escrita. Assim, aprimora-se não apenas a competência linguística, mas contribui-se também para a plena participação na vida académica, profissional e social, reforçando o papel do jovem como agente transformador da sociedade.

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Bibliografia e Leituras Complementares

- Ministério da Educação: “Referenciais para a produção textual no Ensino Básico e Secundário” - Gramática da Língua Portuguesa de Celso Cunha e Lindley Cintra - “Redação e Expressão Escrita” – Maria Helena Mira Mateus - Portais educativos: Escola Virtual, Sapientia, Ensina RTP - Exemplos de textos em manuais de Português do 3º ciclo e secundário

Para quem deseja aprofundar a prática, recomenda-se a leitura atenta de textos publicados nas secções de opinião dos principais jornais portugueses e a experimentação de diferentes temas na escrita de ensaios e relatórios.

Perguntas de exemplo

As respostas foram preparadas pelo nosso professor

Quais são as diferenças entre texto argumentativo e expositivo?

O texto expositivo informa de forma imparcial, enquanto o argumentativo procura convencer o leitor defendendo um ponto de vista com argumentos definidos.

Como escrever um texto expositivo no ensino secundário?

Deve apresentar o tema de modo claro na introdução, desenvolver com explicações objetivas e terminar com uma conclusão que resume as ideias principais, sem opiniões pessoais.

Quais são as principais características do texto argumentativo e expositivo?

O texto expositivo foca-se em explicar factos com imparcialidade; o argumentativo apresenta opiniões, defende uma tese e utiliza argumentos para persuadir.

Qual a estrutura ideal para um texto argumentativo e expositivo?

Ambos têm introdução, desenvolvimento e conclusão; o expositivo expõe factos, enquanto o argumentativo desenvolve argumentação para defender uma posição.

Que dicas ajudam a distinguir texto argumentativo de expositivo?

Observe se o texto apenas esclarece factos (expositivo) ou se defende ideias e tenta convencer o leitor (argumentativo); avalie também a presença de juízos de valor.

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