Redação

Ação humana e valores: influência nas escolhas e na vida em sociedade

approveEste trabalho foi verificado pelo nosso professor: 21.01.2026 às 17:50

Tipo de tarefa: Redação

Ação humana e valores: influência nas escolhas e na vida em sociedade

Resumo:

Descubra como a ação humana e os valores influenciam escolhas e a vida em sociedade, aprendendo sobre ética, moral e convivência em Portugal 📚.

A dimensão da acção humana e dos valores

Introdução

O ser humano distingue-se, desde os primórdios da civilização, pela sua capacidade de agir de modo consciente e intencional, transportando consigo princípios e valores que guiam cada escolha, palavra e gesto. Viver em sociedade implica tomar decisões reflectidas que afetam não apenas o nosso percurso individual, mas também o bem-estar coletivo. Em Portugal, esta realidade manifesta-se de várias formas, tanto no espaço familiar como nas escolas, associações e espaços públicos, onde a convivência exige equilíbrio entre liberdade e responsabilidade.

Falar de ação humana é abordar a atividade racional e voluntária do indivíduo, resultado das suas crenças, intenções e valores. Por sua vez, os valores são normas e princípios orientadores, desenvolvidos em comunidade e transmitidos de geração em geração, que moldam a conduta e os juízos do que é “certo” ou “errado”. A reflexão sobre a dimensão da acção humana e dos valores é, por isso, fundamental para compreendermos o modo como nos posicionamos e atuamos no mundo. Este ensaio propõe-se a analisar as múltiplas facetas da ação humana – social, moral e ética –, contextualizando-as à luz da realidade portuguesa e da sua tradição humanista e cívica.

O ser humano como ser social e moral

A nossa existência adquire verdadeiro sentido na relação com os outros. Tal como referiu Agostinho da Silva, pensador português, “ninguém é feliz sozinho, nem pode fazer-se pessoa fora do convívio e da partilha”. O ser humano é, por excelência, um ser social: a primeira aprendizagem de normas e valores acontece na família, passa pela escola e é aprofundada em todos os grupos de pertença que vamos integrando ao longo da nossa vida.

A socialização é, assim, um processo essencial para a internalização das regras que sustentam a convivência. Os valores têm origem em fatores culturais e históricos – o respeito pelo idoso, tão presente na tradição portuguesa; o valor do trabalho, enraizado desde os tempos da ruralidade; ou ainda a importância dada à palavra dada e à honra, recorrentes nas obras de escritores como Eça de Queirós. Por outro lado, alguns valores tendem a ter alcance universal, como a justiça ou a solidariedade, ambos princípios caros à construção social democrática e ao ensino em Portugal.

A consciência moral, enquanto faculdade de discernir entre o bem e o mal, desenvolve-se gradualmente. O filósofo Fernando Savater, frequentemente referenciado nos programas escolares nacionais, destaca a dimensão prática da ética e o papel da vontade e da razão na escolha das ações. Ser pessoa moral não é apenas ser humano: implica assumir responsabilidade pelos atos, evidenciando maturidade na reflexão moral. É por isso que se distingue, na prática, quem age apenas por instinto ou convenção social, daqueles que escolhem deliberadamente agir segundo valores éticos, mesmo quando tal implica algum sacrifício ou resistência à pressão do grupo.

Normas, leis e valores: a estrutura da ação humana

A vida em sociedade não se rege apenas pelos sentimentos individuais, mas por um tecido de normas que regula o comportamento, promovendo a ordem e evitando conflitos. No contexto português, a experiência escolar demonstra bem esta realidade: os estudantes aprendem desde cedo a importância das regras de convivência, como o respeito pelos professores, a pontualidade ou a entreajuda nos trabalhos de grupo.

As normas sociais são mecanismos informais, sancionados pelo olhar e juízo da comunidade: cumprimentar os vizinhos à entrada do prédio ou dar lugar aos mais velhos nos transportes públicos. Já as normas morais assentam em princípios éticos, como a honestidade ou o respeito pela dignidade do outro, indo além da simples convenção.

Por outro lado, a lei – enquanto norma jurídica – é promulgada por entidades oficiais e tem sanções formalmente estipuladas, visando proteger direitos e garantir a justiça. É o caso das leis que proíbem o roubo ou condenam a discriminação. No entanto, há situações em que a lei pode divergir da moral: basta recordar debates no espaço público em torno do aborto ou da eutanásia em Portugal, onde a aprovação legal não significa consenso moral total. Nestes casos, cada indivíduo é chamado a refletir criticamente sobre o modo como concilia obediência à lei e fidelidade aos seus próprios valores e convicções éticas.

Às vezes, seguir a lei basta; noutras, o imperativo moral impele-nos a ir além da norma jurídica. Portugal, ao longo da sua História, tem exemplos de resistência à injustiça legal, como durante o Estado Novo, quando cidadãos se recusaram a denunciar vizinhos perseguidos pelo regime, antepondo a consciência à obediência cega.

Ética e moral: dois domínios da orientação da ação

Enquanto a moral se traduz em códigos, hábitos e juízos práticos assimilados desde a infância – e partilhados em comunidade –, a ética é reflexão crítica e sistemática sobre esses mesmos códigos. A moral diz-nos o que é comummente aceite; a ética questiona e fundamenta, perguntando “porquê?” e “a que finalidade serve este valor?”. Nos manuais portugueses de Filosofia do 10.º ano, é frequente distinguir-se entre agir por hábito e saber justificar racionalmente, colocando em diálogo o pensamento de Aristóteles ou Kant.

A ética tem sido um campo de crescente importância na era contemporânea, sobretudo perante dilemas suscitados pelo avanço científico e tecnológico. Questões relativas à inteligência artificial, à privacidade online ou à clonagem genética, discutidas em fóruns e assembleias nacionais, mostram como a ética é vital para pensar novas formas de responsabilidade. O ensino ético é essencial para formar cidadãos críticos, aptos a tomar decisões informadas e comprometidas com o bem comum.

A dimensão pessoal e social da ação moral

Cada indivíduo é, antes de mais, sujeito moral: detentor da liberdade de escolher os seus atos e da responsabilidade pelas consequências que daí decorrem. Não existem regras absolutas para todos os contextos; a ação moral implica ponderação, sensibilidade e capacidade crítica. A pressão dos valores sociais por vezes entra em conflito com convicções pessoais, sendo simbólico o exemplo dos “desviantes positivos”: aqueles que, ao recusar compactuar com pequenas corrupções do quotidiano (como copiar num teste ou furar uma fila), afirmam a sua integridade perante o grupo, arriscando a exclusão ou o ridículo.

A relação entre indivíduo e sociedade é dinâmica. As gerações mais jovens, em Portugal, têm desempenhado um papel relevante na denúncia de práticas discriminatórias, na defesa de justiça ambiental ou na reinvindicação de direitos das minorias. Isto mostra como a consciência moral é influenciada e também influencia o meio social, promovendo mudanças estruturais.

As escolhas morais têm impacto na construção da identidade de cada pessoa. O reconhecimento social das ações moralmente corretas fortalece a autoestima, ao passo que a violação dos valores partilhados conduz ao arrependimento ou à perda de confiança. Por outro lado, há situações em que a maturidade moral está diminuída, seja por idade (crianças) ou condição mental, devendo aí a sociedade adaptar as exigências de responsabilidade.

Desafios contemporâneos à dimensão da ação humana e dos valores

Num mundo marcado pela globalização e pluralidade cultural, deparamo-nos com valores divergentes entre diferentes comunidades e até dentro do mesmo país. Em Portugal, a convivência entre práticas tradicionais e dinâmicas da modernidade exige diálogo aberto e respeito pela diferença. O desafio está em conciliar valores culturais (religiosos, regionais) com princípios partilhados universalmente, como os direitos humanos.

A tecnologia, especialmente o fenómeno das redes sociais, trouxe novas questões éticas: desde a propagação de desinformação e discurso de ódio à gestão da privacidade e à exposição mediática. A rapidez da comunicação virtual exige uma reflexão ética constante, que nem sempre acompanha as tendências tecnológicas.

A crise de valores, frequentemente discutida em conferências e na opinião publicada nacional, é um sinal dos tempos atuais. O relativismo moral desafia a coesão social, pois, sem referências partilhadas, torna-se difícil legitimar decisões e promover justiça. A resposta passa pela valorização do diálogo intercultural e pela formação ética nas escolas – espaço privilegiado para cultivar empatia, respeito e sentido de responsabilidade.

O papel da educação é, nesta matéria, insubstituível. Os programas sociais, como o “Escola Segura”, o incentivo ao voluntariado ou a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento no currículo nacional, mostram o compromisso português com a promoção de valores cívicos e éticos. Cabe aos educadores, famílias e agentes sociais criar espaços onde o pensamento crítico floresça e as decisões sejam tomadas com base na reflexão moral.

Conclusão

A análise da dimensão da ação humana e dos valores permite compreender que os nossos atos estão sempre imersos num quadro de normas, princípios e expectativas sociais. Ser agente moral é saber ponderar, escolher e agir com responsabilidade, tendo por base valores partilhados e princípios éticos, mas sem abdicar da liberdade crítica que define o humanismo. Em Portugal, o diálogo entre tradição e modernidade, a busca de justiça nos mais diversos contextos e o compromisso com o desenvolvimento humano pleno são testemunhos vivos da centralidade dos valores na orientação da ação.

O desafio contemporâneo consiste em cultivar uma convivência baseada no respeito pela diferença, no diálogo e no compromisso ético, sem o qual a vida em sociedade perde o seu sentido. Encorajando a reflexão sobre as próprias escolhas e o impacto da ação individual e coletiva, estaremos a contribuir para uma cidadania plena, ativa e solidária – caminho essencial para uma sociedade justa e humana. O debate sobre ética aplicada deve, pois, ser continuado, tanto nas escolas como nos fóruns públicos, porque a construção da pessoa moral é uma tarefa permanente, feita na interseção entre valores, normas e decisões cotidianas.

Perguntas de exemplo

As respostas foram preparadas pelo nosso professor

Qual a influência dos valores nas escolhas e vida em sociedade?

Os valores orientam decisões e comportamentos, ajudando a definir o que é considerado certo ou errado em sociedade e promovendo o bem-estar coletivo.

O que significa ação humana e valores no contexto português?

Ação humana e valores referem-se à atuação racional guiada por princípios culturais e éticos que moldam a convivência em Portugal, desde a família até à participação cívica.

Como os valores são transmitidos e aprendidos na sociedade portuguesa?

Os valores são transmitidos pela família, escola e grupos sociais, refletindo tradições como o respeito pelo idoso e a importância da palavra dada.

Qual o papel da consciência moral na ação humana e nos valores?

A consciência moral permite distinguir o bem do mal, orienta escolhas responsáveis e demonstra maturidade ética nos actos humanos.

Como normas, leis e valores estruturam a vida em sociedade?

Normas, leis e valores regulam os comportamentos, promovem a ordem social e evitam conflitos, garantindo uma convivência equilibrada em sociedade.

Escreve a redação por mim

Classifique:

Inicie sessão para classificar o trabalho.

Iniciar sessão