Trabalho de pesquisa

Impactos e desafios das alterações climáticas no século XXI

approveEste trabalho foi verificado pelo nosso professor: 15.01.2026 às 19:33

Tipo de tarefa: Trabalho de pesquisa

Impactos e desafios das alterações climáticas no século XXI

Resumo:

As alterações climáticas afetam o planeta, com causas humanas e consequências ambientais, sociais e económicas graves. É urgente agir para mudar! 🌍

Alterações Climáticas

I. Introdução

Vivemos hoje num momento de viragem histórica, quando a humanidade se vê confrontada com uma das maiores ameaças globais do século XXI: as alterações climáticas. Este fenómeno, que designa a modificação significativa e duradoura nos padrões climáticos da Terra, alimenta diariamente debates políticos, científicos e sociais em todo o mundo. Se, em tempos, o clima mudava quase impercetivelmente ao longo de séculos, hoje assistimos a transformações abruptas, resultado de ações humanas em larga escala. Segundo o relatório de 2023 do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), a temperatura média global já aumentou cerca de 1,1ºC em relação à era pré-industrial, com consequências visíveis para o ambiente, para as economias e para o bem-estar das populações.

Escolhi este tema pela sua incontornável atualidade — apenas ligando o noticiário nacional ou internacional, surgem novas notícias sobre ondas de calor, secas ou cheias históricas, que não só ameaçam paisagens naturais únicas, como desafiam estruturas sociais e económicas. Mais do que isso, as alterações climáticas levantam uma questão fundamental: como deve agir a nossa sociedade diante de desafios globais que põem em causa o futuro coletivo? Estamos realmente conscientes do impacto das nossas ações no clima?

Neste trabalho irei explorar, de forma fundamentada, a evolução do conhecimento sobre as alterações climáticas, fazendo referência aos principais marcos mundiais na resposta ao problema, como o Protocolo de Quioto. Abordarei as causas — naturais e antropogénicas —, realçando o papel do comportamento humano, e analisarei as consequências ambientais, económicas e sociais. Não menos importante, procurarei ilustrar com exemplos recentes a materialização destes impactos, terminando com uma reflexão sobre a responsabilidade partilhada e o imperativo de soluções urgentes. Espero, assim, contribuir para uma maior sensibilização e, talvez, encorajar uma mudança de atitude, que é urgente e inadiável.

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II. História e Evolução do Conhecimento sobre as Alterações Climáticas

O reconhecimento das alterações climáticas e do seu caráter antropogénico não surgiu de imediato e, historicamente, foi marcado por fases de dúvida, conflito de interesses e, só recentemente, por uma aceitação quase consensual.

No início do século XX, os primeiros estudos sobre o efeito de estufa, como os de Svante Arrhenius, eram vistos como meras curiosidades científicas. A complexidade do clima terrestre, com as suas variáveis interligadas como oceanos, atmosfera e relevo, dificultava qualquer previsão sobre o impacto das atividades humanas. Até à década de 1970, muitos cientistas eram cautelosos em atribuir variações climáticas significativas à ação do Homem, prevalecendo dúvidas e incertezas metodológicas.

Além disso, o debate era travado por argumentos económicos poderosos: implementar políticas de mitigação era visto como demasiado caro, sobretudo para as economias industrializadas que dependiam do uso intensivo de combustíveis fósseis. As análises de custo-benefício — como bem notou o relatório Stern (2006), mais tarde — geralmente negligenciavam os custos futuros do não agir, focando-se nos sacrifícios imediatos.

A transição para um novo paradigma ocorreu a partir da década de 1980, impulsionada por evidências científicas cada vez mais robustas. O IPCC, criado em 1988 com apoio das Nações Unidas e da Organização Meteorológica Mundial, tornou-se ator central na divulgação dos riscos do aquecimento global. A relação direta entre o aumento da concentração de gases com efeito de estufa e o aumento da temperatura terrestre foi finalmente estabelecida. Estudos de referência, como o do Relatório Stern, sublinharam que o impacto económico da inação seria incomparavelmente maior do que o investimento na mitigação (podendo atingir, segundo Stern, até 20% do PIB mundial, contra 1% do investimento necessário).

A influência da cultura e da comunicação social não pode ser subestimada: documentários como “Uma Verdade Inconveniente”, lançado em 2006 por Al Gore, trouxeram o tema para a esfera pública global. Em Portugal, autores como José Manuel Castanheira ou o grupo de investigação do Instituto Superior Técnico contribuíram decisivamente para o debate, promovendo uma aproximação entre academia, decisores e cidadãos.

No entanto, persiste uma desigualdade gritante: cerca de 50% das emissões de GEE vêm de países ricos, que representam apenas 15% da população. Estes países beneficiaram durante décadas do progresso industrial, enquanto os mais vulneráveis — muitos dos quais em África ou Ásia —, que emitiram muito menos gases, já suportam catástrofes graves associadas ao clima, como cheias, secas ou fome. Também em Portugal se observa uma crescente frequência de eventos extremos, como ondas de calor e incêndios, que afetam sobretudo as populações mais frágeis, como os idosos ou as comunidades rurais.

Por tudo isto, a aceitação dos dados científicos e a compreensão das desigualdades envolvidas tornaram-se o alicerce para qualquer ação política internacional credível.

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III. Protocolo de Quioto: Uma Resposta Parcial ao Problema Global

O Protocolo de Quioto, estabelecido em 1997, foi o primeiro grande acordo internacional a assumir de forma vinculativa a necessidade de limitar as emissões de gases com efeito de estufa por parte dos países desenvolvidos. Este tratado representou um passo incrivelmente importante na criação de um quadro legal internacional, impulsionando o reconhecimento de que a resposta ao clima teria de ser, necessariamente, global e articulada.

Entre os seus pontos positivos, destaca-se a introdução do conceito de quotas nacionais para as emissões de CO2, bem como os chamados "mecanismos de mercado", como a permuta de emissões e os créditos de carbono. Países que excedessem as metas poderiam comprar créditos a quem emitisse menos, promovendo assim a eficiência ambiental sobretudo nos setores da indústria e energia. Em Portugal, isso traduziu-se em incentivos para modernizar infraestruturas, apostar nas energias renováveis e encontrar soluções inovadoras para reduzir a pegada de carbono.

Apesar destes méritos, o Protocolo de Quioto revelou falhas substanciais. Desde logo, a ausência de compromisso por parte de países fundamentais como os Estados Unidos — à época, o maior poluidor mundial — comprometeu o alcance do esforço coletivo. As metas fixadas foram modestas e dirigidas apenas a países desenvolvidos, ignorando o impacto crescente das economias emergentes. Além disso, o sistema de fiscalização e penalização era débil, o que levou a sérias dificuldades no cumprimento efectivo das metas.

Com o passar dos anos, ficou evidente que o Protocolo seria apenas um ponto de partida e não uma solução definitiva. O Acordo de Paris (2015) representa já um compromisso mais inclusivo, baseando-se em contribuições nacionalmente determinadas e no envolvimento ativo dos países em desenvolvimento. No entanto, Quioto teve méritos inegáveis: consolidou o debate ambiental e o papel articulador da ONU; e foi o impulso inicial para o desenvolvimento das energias renováveis em Portugal, que hoje são referência a nível europeu.

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IV. Causas das Alterações Climáticas

As alterações climáticas, embora tenham causas naturais, devem-se sobretudo à ação humana desde a Revolução Industrial. Vejamos ambos os aspetos:

Causas naturais: Historicamente, o clima da Terra já foi influenciado por variações na atividade solar, erupções vulcânicas de grandes dimensões e mudanças lentas na órbita do planeta. No entanto, estas causas operam numa escala temporal muito mais lenta e explicam apenas flutuações pontuais ou globais em eras passadas.

Causas humanas (antropogénicas): O grande fator diferenciador reside no uso massivo de combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás natural. Estes são a base do transporte, da produção de eletricidade e da indústria, emitindo grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera. A desflorestação, realizada para abertura de campos agrícolas e urbani​zação, reduz a capacidade do planeta em absorver CO2, agravando o problema. A agricultura intensiva, sobretudo ligada à produção pecuária, resulta na libertação de metano — outro gás de efeito de estufa potente. Segundo o Eurostat, em 2020, o setor energético representou cerca de 75% das emissões totais da União Europeia, com Portugal alinhado com esta média.

A par destes fatores diretos, há contributos indiretos igualmente relevantes: o desperdício alimentar e energético imposto pelas sociedades de consumo, padrões alimentares baseados em produtos com elevado custo ecológico, e a urbanização desregrada, que intensifica os problemas de mobilidade e impermeabilização dos solos.

Assim, somos todos, de alguma maneira, parte do problema — da forma como viajamos à forma como produzimos e consumimos.

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V. Consequências das Alterações Climáticas

O impacto das alterações climáticas é multisectorial e tende a agravar-se de forma exponencial à medida que as temperaturas aumentam.

Efeitos ambientais: O aumento da temperatura média global provoca fenómenos visíveis: derretimento acelerado do gelo nos polos e glaciares, subida do nível do mar (ameaçando cidades costeiras como Lisboa ou Porto), mais secas e ondas de calor, como Portugal bem conheceu nos verões de 2003 e 2017. As alterações nos padrões de precipitação originam cheias inéditas noutras regiões, enquanto a perda de biodiversidade atinge pontos de não retorno em diversos ecossistemas.

Efeitos sociais: Há consequências graves para a saúde pública — mortes derivadas de calor extremo, propagação de doenças transmitidas por vetores (como o mosquito), insegurança alimentar devido à quebra de produções e deslocações forçadas. Os “refugiados climáticos” são já uma realidade no sul global. Entre países ou até dentro dos próprios territórios, os mais vulneráveis — idosos, famílias com baixos rendimentos, agricultores familiares — sofrem mais, alargando a desigualdade social.

Efeitos económicos: O custo das catástrofes naturais, frequentemente noticiado, representa milhares de milhões de euros por ano em danos diretos, sem contar com a perda das condições para a atividade agrícola ou piscatória. Setores como o turismo, essenciais para Portugal, também ficam ameaçados pela degradação de paisagens naturais e pelo risco acrescido de fenómenos extremos. De acordo com o Banco de Portugal, os prejuízos relacionados com eventos extremos poderão duplicar até 2050 caso não haja mudanças profundas.

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VI. Exemplos de Catástrofes Naturais Ligadas às Alterações Climáticas

O impacto das alterações climáticas também se concretiza em catástrofes naturais de escala e frequência cada vez maiores.

Incêndios florestais extremos: Portugal tem sido palco regular deste drama. Os incêndios de 2017, em Pedrógão Grande e noutras regiões do centro, causaram mais de uma centena de mortes, para além da destruição de hectares de floresta e infraestruturas. As causas estes eventos são múltiplas — negligência, abandono rural —, mas a seca prolongada e as temperaturas recorde criaram as condições ideais para tamanha devastação. Na Austrália e na Califórnia, assistimos a cenários semelhantes, com perdas materiais e ambientais imensas, assim como graves problemas de saúde para as populações.

Inundações severas e tempestades: Em 2005, a Madeira sofreu inundações e enxurradas fatais. Mais recentemente, na Alemanha ou na Bélgica, chuvas intensas atribuídas ao aquecimento global provocaram cheias mortais. Os furacões no Atlântico e os tufões no Pacífico têm-se mostrado cada vez mais destrutivos, obrigando à evacuação de milhares de pessoas.

Secas prolongadas e desertificação: O sul da Europa, incluindo o Alentejo, assiste à desertificação progressiva, com sérios impactos na agricultura e na disponibilidade de água. Nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), como Angola ou Cabo Verde, as secas têm efeitos humanitários devastadores, incluindo fome e migração forçada.

Derretimento das calotas polares: O recuo do gelo no Ártico e na Antártida é um dos sinais mais visuais e alarmantes das alterações climáticas, ameaçando espécies como o urso polar e aumentando o nível do mar, que coloca em risco cidades costeiras em todo o mundo.

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VII. Conclusão

O conhecimento científico acumulado ao longo das últimas décadas deixa poucas dúvidas sobre a origem e as dramáticas consequências das alterações climáticas. O Protocolo de Quioto marcou o início de um compromisso global, e apesar das suas limitações, abriu caminho para acordos cada vez mais abrangentes. Somos todos, individual e coletivamente, responsáveis por inverter a trajetória de destruição ambiental a que assistimos.

Ainda assim, nunca foi tão claro que este é um problema de justiça entre gerações, regiões do mundo e classes sociais. Cada gesto individual, desde a poupança de energia à escolha de transportes sustentáveis, importa. Cada decisão política, empresarial, ou cívica pode contribuir para a mudança ou para o agravamento da crise.

Portugal tem potencial para assumir uma liderança europeia na transição energética, graças à aposta em renováveis e ao espírito inovador das novas gerações. O desafio é assegurar que a educação e a sensibilização ambiental cheguem a todos. Como escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen, “Defenderei a casa até à última pedra”. Pergunto: que casa deixaremos às futuras gerações?

A luta contra as alterações climáticas está longe de estar ganha. Mas, tendo consciência dos riscos e conhecendo as soluções, resta-nos escolher: inércia ou ação. A mudança começa em cada um de nós.

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Anexos / Apêndices

Glossário de termos técnicos

- GEE (Gases com Efeito de Estufa): Compostos atmosféricos que retêm o calor, como CO2, metano e óxido nitroso. - Mitigação: Redução das emissões ou aumento da absorção de GEE para limitar as alterações climáticas. - Adaptação: Ajustamento de sistemas humanos e naturais para minimizar impactos negativos das alterações climáticas. - PIB (Produto Interno Bruto): Indicador económico que representa o valor de todos os bens e serviços produzidos num país.

Fontes consultadas

- IPCC Relatórios Síntese (2022, 2023) - Eurostat, Agência Portuguesa do Ambiente, Relatório Stern (2006) - “Uma Verdade Inconveniente” (filme/documentário) - Banco de Portugal (Relatório de Riscos Climáticos 2022)

Gráficos e tabelas simplificados

- Emissões de GEE por setor em Portugal (2020):\ Energia 75% | Agricultura/Pecuária 10% | Resíduos 7% | Indústria 8%

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Nota final: Só com formação, participação informada e vontade coletiva é possível garantir a preservação dos sistemas naturais que sustentam a vida e construir um futuro justo e sustentável para todos.

Perguntas de exemplo

As respostas foram preparadas pelo nosso professor

Quais são os principais impactos das alterações climáticas no século XXI?

Os impactos incluem aumento de fenómenos extremos, perdas de biodiversidade, prejuízos económicos e desigualdades sociais agravadas. Estas consequências afetam o ambiente, a economia e a saúde pública.

Quais foram os desafios do Protocolo de Quioto para combater as alterações climáticas no século XXI?

O Protocolo de Quioto enfrentou desafios como metas limitadas, exclusão de grandes emissores e sistema de fiscalização frágil. Apesar disso, foi um passo fundamental para a resposta global ao problema.

Qual é a principal causa das alterações climáticas no século XXI?

A principal causa é a atividade humana, sobretudo a queima de combustíveis fósseis e desflorestação. Estes fatores aumentam a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera.

Como as alterações climáticas no século XXI afetam Portugal?

Portugal enfrenta secas, ondas de calor, incêndios florestais e ameaças a setores como a agricultura e o turismo. Estes impactos afetam principalmente as populações mais vulneráveis.

Que soluções são propostas para os desafios das alterações climáticas no século XXI?

Soluções incluem transição para energias renováveis, mitigação de emissões e educação ambiental. Mudanças individuais e políticas globais são essenciais para enfrentar o desafio.

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