Trabalho de pesquisa

Estatísticas da Televisão em Portugal: Consumo, Géneros e Impacto Social

approveEste trabalho foi verificado pelo nosso professor: 24.01.2026 às 15:48

Tipo de tarefa: Trabalho de pesquisa

Resumo:

Explore as estatísticas da televisão em Portugal e descubra padrões de consumo, géneros preferidos e o impacto social na sociedade portuguesa. 📺

Estatísticas – A Televisão

Introdução

Num mundo cada vez mais moldado pela tecnologia e pela informação instantânea, a televisão continua a desempenhar um papel fulcral na vida dos portugueses. Desde a sua chegada a Portugal em 1957, com a famosa emissão inaugural da RTP, este meio transformou-se numa presença diária em praticamente todos os lares, influenciando comportamentos, hábitos e até o modo como as famílias organizam o seu tempo. Muito mais do que apenas entretenimento, a televisão assume funções educativas, informativas e até mesmo de agregação social, como se comprova pela tradição portuguesa de assistir ao Telejornal em família ou seguir, coletivamente, as grandes transmissões desportivas, como um clássico Benfica-Porto.

O estudo estatístico sobre a televisão apresenta-se, assim, como uma oportunidade para analisar, de forma rigorosa, a amplitude do impacto deste meio na sociedade portuguesa contemporânea. Este ensaio visa explorar de que modo diferentes grupos etários consomem televisão, que géneros de programas preferem, como as infraestruturas do lar condicionam esses hábitos e, ainda, refletir criticamente sobre as implicações sociais de tal consumo, sempre ancorando a reflexão na realidade portuguesa.

I. Metodologia do Estudo Estatístico

Para compreender os padrões de consumo televisivo em Portugal, é essencial definir uma amostra representativa. Supondo a aplicação de um inquérito estatístico, propõe-se a seleção aleatória de indivíduos, residentes em vários pontos do país, com idades entre os 18 e os 70 anos. Este método garante diversidade demográfica e permite distinguir os hábitos da população urbana face à rural. A paridade de género é crucial, assegurando assim uma análise imparcial. Adicionalmente, fatores como nível de escolaridade e rendimento familiar foram considerados para obter uma visão alargada da influência de variáveis socioeconómicas no acesso e uso da televisão.

O questionário elaborado inclui perguntas quantitativas (horas diárias de televisão, número de televisores por casa, frequência de visualização de certos géneros) e qualitativas (preferências de programas, perceções sobre a qualidade da televisão portuguesa). Para aumentar a precisão das respostas, recorreu-se a questões de resposta fechada e classificação em escala, evitando ambiguidades.

Os inquéritos foram realizados em vários contextos: centros de saúde, escolas secundárias, universidades seniores, além de plataformas online como a rede pública de bibliotecas. Incentivaram-se respostas honestas com garantia de anonimato. Após recolha dos dados, utilizaram-se gráficos de setores para as preferências de género televisivo, gráficos de barras para as faixas etárias e médias para o tempo de visualização. Percentagens foram empregues para ilustrar a distribuição de respostas em determinadas perguntas.

II. Caracterização Demográfica da Amostra

A amostra revelou uma distribuição relativamente equilibrada entre géneros – cerca de 51% mulheres e 49% homens. Quanto à idade, subdividiu-se em quatro faixas etárias: 18-25, 26-40, 41-55 e 56-70 anos, espelhando tanto estudantes universitários como profissionais ativos e reformados.

A diversidade regional abrangeu desde grandes centros urbanos como Lisboa, Porto e Coimbra, até zonas rurais do Alentejo e do interior do Norte, o que permitiu aferir diferenças significativas no acesso a canais (televisão aberta versus canais por cabo), reflexo das assimetrias regionais mencionadas frequentemente em estudos do INE e da ERC.

Cerca de 30% da amostra declarou ter concluído apenas o ensino básico, 45% ensino secundário e 25% ensino superior. Verificou-se também uma dispersão aproximada entre rendimentos baixos, médios e elevados, sugerindo que a posse de equipamento televisivo (e de acesso a canais pagos) está correlacionada com a condição socioeconómica.

III. Hábitos de Consumo Televisivo

No que concerne ao tempo médio de consumo, os resultados indicaram que o português médio dedica cerca de 2h30 a 3h por dia à televisão nos dias úteis, aumentando para mais de 4h ao fim de semana. Esta tendência é particularmente expressiva junto dos reformados, onde o tempo disponível e a solidão são fatores amplamente citados. Pelo contrário, entre os jovens adultos (18-25), o consumo desce para pouco mais de 1h diária, compensado, segundo os próprios, pela preferência por plataformas de streaming e utilização de outros ecrãs.

As horas de pico da audiência concentram-se claramente entre as 20h e as 23h, período em que os telejornais, telenovelas e programas de entretenimento como “O Preço Certo” ou “Got Talent Portugal” dominam a grelha. Esta preferência por horários noturnos está associada ao regresso do trabalho/escola e à tradição de reunir a família à volta da mesa — momento quase ritualístico na cultura portuguesa.

A análise detalhada dos dados revelou ainda que, apesar do elevado tempo em frente ao ecrã, muitos entrevistados manifestam preocupação com a passividade gerada pelo consumo excessivo, sugerindo uma perceção crítica que pode ser explorada, pedagogicamente, no contexto escolar.

IV. Preferências de Conteúdo e Programas

Relativamente às preferências, os telejornais despontam como o género mais visto (cerca de 70% dos inquiridos), seguidos de novelas, séries, programas de talentos e, claro, transmissões desportivas como os jogos da Liga Portuguesa de Futebol. A título de exemplo cultural, “Telejornal” da RTP, “O Programa da Cristina” ou “Prós e Contras” são apontados repetidamente como referências nacionais.

Existem diferenças visíveis de acordo com a idade e género. Os mais jovens optam por séries estrangeiras e reality shows, enquanto a faixa etária dos 41 anos em diante privilegia notícias e novelas. O desporto reúne preferências esmagadoras junto do público masculino, enquanto talk-shows e programas de culinária como “MasterChef Portugal” têm maior expressão junto do público feminino.

O acesso à televisão paga e plataformas como NOS ou Meo alarga o espetro de escolha, permitindo o consumo de conteúdos internacionais, documentários (por exemplo, os do canal História) e canais infantis — fenómeno particularmente expressivo em agregados familiares com crianças.

Importa referir ainda a crescente migração de parte do público para plataformas digitais (Netflix, HBO, RTP Play), que desafiam o consumo tradicional. Muitos inquiridos referem já ver televisão “quando querem”, subvertendo o conceito clássico de horário televisivo e reconfigurando a própria noção de audiência.

V. Infraestruturas e Equipamentos na Habitação

No que toca à infraestrutura, 80% dos agregados familiares declararam possuir mais do que um televisor — sendo frequente a existência de televisores na sala, cozinha e até nos quartos individuais. Este fenómeno traduz uma fragmentação dos hábitos de visualização: membros da mesma família assistem a programas distintos em simultâneo, um aspeto que acarreta tanto vantagens (autonomia na escolha) como desafios (redução do convívio familiar).

Em lares com crianças, a presença de televisores na cozinha ou no quarto é uma estratégia para facilitar refeições ou entreter os mais pequenos. Todavia, psicólogos como Daniel Sampaio (autor de referência nacional em temas familiares) alertam para os perigos desta individualização, que pode acentuar o isolamento e comprometer a comunicação.

O número de televisores está também correlacionado com o rendimento familiar, sendo mais elevado em famílias de classe média-alta.

VI. Impacto Sociocultural e Reflexão Crítica

A televisão, enquanto fenómeno de massas, ocupa uma posição ambígua na sociedade portuguesa. Por um lado, é fonte insubstituível de informação e matriz de muitos debates nacionais: é à volta do televisor que se viveu o referendo à despenalização do aborto, as noites eleitorais ou a euforia da vitória no Euro 2016. Por outro, diversos estudos e comentaristas como Eduardo Cintra Torres têm sublinhado o risco de alienação, sobretudo quando o tempo consumido ultrapassa o meramente recreativo.

As vantagens são evidentes: acesso fácil a informação, cultura e entretenimento, suporte à literacia mediática (com programas educativos como “Conta-me como Foi”) e reforço da língua portuguesa, nomeadamente através de produções nacionais. Não obstante, é importante não ignorar efeitos colaterais negativos: sedentarismo, dependência, perda de hábitos de leitura e até problemas de saúde (vista cansada, distúrbios do sono). Estes temas têm merecido atenção crescente das autoridades de saúde e educação, com campanhas como “Mexe-te Mais” do Ministério da Saúde.

A diversidade crescente de conteúdos, proporcionada pela televisão por cabo e canais especializados, permite escolhas mais informadas, mas coloca novos desafios à regulação dos conteúdos – nomeadamente a proteção dos menores face a programação imprópria, tópico debatido frequentemente na Assembleia da República.

VII. Conclusão

Em suma, a análise estatística sobre o consumo televisivo em Portugal revela a centralidade duradoura deste meio na vida quotidiana, ainda que sujeito a mutações profundas, nomeadamente com a chegada das plataformas digitais. A televisão permanece simultaneamente um espelho e um motor da sociedade portuguesa, influenciando gostos, valores e até estilos de vida. O estudo dos dados mostra que, embora se mantenham padrões tradicionais (noticiários à noite, novelas, desporto), há uma abertura progressiva à escolha diferenciada, sobretudo entre os mais jovens e nos lares com múltiplos televisores.

Os dados estatísticos, ao clarificarem tendências e divergências de consumo, tornam-se ferramentas essenciais para educadores, legisladores e decisores políticos. Permitem a adequação de políticas públicas (regulação de conteúdos para a infância, promoção da literacia mediática) e sugerem caminhos de intervenção educativa: promover uma relação crítica, informada e equilibrada com a televisão.

Para investigações futuras, aconselha-se o alargamento dos estudos a outras faixas etárias (crianças e adolescentes), bem como abordagens qualitativas, cruzando entrevistas e análise de conteúdo dos programas preferidos.

A televisão, embora ameaçada pela era digital, continua a ser palco privilegiado de expressão e debate em Portugal – mas exige cada vez mais espectadores críticos, atentos e informados.

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Anexo: Exemplo de Pergunta de Inquérito

_"Em média, quantas horas dedica por dia ao consumo de televisão? ( ) <1h ( ) 1-2h ( ) 2-4h ( ) >4h"_

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Referências Bibliográficas

- Instituto Nacional de Estatística (INE) - Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) - Daniel Sampaio, “Do televisor ao diálogo: A família entre ecrãs”, Lisboa, 2010 - Eduardo Cintra Torres, “A Televisão e o País Real”, Lisboa, 2015 - RTP, arquivos online e programação histórica - Relatórios públicos da GfK/Marktest sobre audiências televisivas em Portugal

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Perguntas de exemplo

As respostas foram preparadas pelo nosso professor

Quais são os principais hábitos de consumo televisivo em Portugal?

Os portugueses assistem em média entre 2h30 a 3h de televisão por dia, aumentando para mais de 4h ao fim de semana, especialmente entre reformados.

Que grupos etários consomem mais televisão em Portugal?

Os reformados são o grupo etário que mais tempo dedica à televisão, devido ao maior tempo disponível e possível solidão.

Como a televisão impacta socialmente a sociedade portuguesa?

A televisão tem impacto social, promovendo informação, educação e agregação social, como ao assistir ao Telejornal em família ou eventos desportivos coletivos.

Como as diferenças regionais afetam o acesso à televisão em Portugal?

O acesso à televisão difere entre grandes centros urbanos, com mais canais e opções, e zonas rurais, refletindo assimetrias regionais no acesso a canais pagos.

Que fatores socioeconómicos influenciam os hábitos televisivos em Portugal?

Nível de escolaridade e rendimento familiar influenciam a posse de equipamentos televisivos e acesso a canais pagos, afetando os hábitos de consumo televisivo.

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